sábado, 19 de janeiro de 2008

Colar grau...


O que é colar grau?



Em termos oficiais, colar grau é assinar uma ata na qual consta toda a sua vida acadêmica. Junto disso, você recebe um canudinho com seu histórico escolar e um certificado que diz que você finalmente concluiu o seu curso!!!


Na realidade, colar grau é terminar uma etapa, concluir um percurso e vislumbrar novas possibilidades... Morre um momento para nascer outro, acaba a graduação para começar a vida profissional ou continuar a acadêmica...


Assim com é ótimo terminar essa fase, é muito triste pensar que não vamos mais encontrar aqueles amigos que nos aguentaram nesses quatro anos, todos os dias, com mau humor, com problemas extra curriculares, com bagagens diferentes, compartilhando o ruim e o bom em tudo que passamos...



Como eu sempre digo para meus amigos conquistados na Puc... O QUE A PUC ME DEU, NÃO VAI TOMAR DE MIM! Não é um desejo, sim uma convicção! Eu não preciso ir até a Puc para encontrar as pessoas que amo... VAMOS SOLTAR NOSSAS AMARRAS! Vamos desfraldar... como diz o hino da universidade...!!!



E sabe porque? O que conquistamos é muito maior que um pedaço de papel, muito maior que a oficiosa colação de grau...


Um pouco disso o Thiago mostrou em seu discurso, como orador da turma de Ciências Sociais da Puc Campinas 2007:

"Chegamos ao fim...
...de um ciclo que durou 4 anos, 48 meses, 1.461 dias, 35.064 horas, 2.103.840 minutos, 126.230.400 segundos... enfim, tantos números até lembram algo preciso, exato, concreto, palpável... e neste momento eu vou tentar falar algo que seja relevante sobre os bastidores, os corredores, os arredores, alguns rumores e até mesmo dores que envolverem um universo constituído por dezenas de alunos e professores, por centenas de familiares e amigos, por milhares de outras pessoas, anônimas ou não... novamente me vejo às voltas com números, quantidades, porções, cálculos... até parece que esta é uma oratória de alguém que acaba de se formar nas chamadas áreas exatas ou tecnológicas... não é o caso, nossa formação está compreendida numa área denominada Ciências Humanas, cujo significado aponta para uma tênue fronteira entre tratar o humano e as coisas dos humanos de maneira científica ou conceber a ciência e as coisas científicas de maneira humana.


Cada um de nós, ao seu tempo e à sua maneira, atribui um significado ou vários significados ao curso que recentemente chegou ao fim. No meu caso, especificamente, muitas mudanças, bem como algumas continuidades, operaram neste período. Um dia, um ex-colega de trabalho perguntou o que este curso de Ciências Sociais mudara em minha vida, eu já estava no quarto ano... pensei um momento, até que respondi: “eu aprendi a amar”... a pessoa à minha frente ficou chocada, como que pensasse: “será que é preciso fazer um curso universitário para aprender a amar?” Não lembro ao certo qual foi a explicação que dei àquela afirmação para o colega, mas para vocês posso afirmar, depois de refletir sobre isso, que aprendi o valor da vida, minha e das outras pessoas, a importância da amizade, de fazer o bem, de querer o bem, de aproveitar os momentos mágicos que podem ser desde uma festa de confraternização como uma conversa em particular... de pensar no todo primeiro e no eu depois... de privilegiar ocasiões simples e verdadeiras com pessoas queridas à outras mais sofisticadas, possivelmente com pessoas que menos tem a ver com nosso universo... relativizar as ações, emoções, distrações, obrigações, confusões... questionar, questionar, questionar... isso vale a pena?, o que eu pretendo com isso?, qual a relevância?, o que entendo ou o que quero entender?... enfim, um sem-número de aprendizados importantes para nós que significamos e re-significamos concepções, aspirações, decisões, posições, visões... confiro à possibilidade e efetivação desse aprendizado às aulas, aos professores individualmente, ao contato entre nós graduandos, às nossas “novas” relações com o mundo ao redor, ao que escolhemos todas as vezes que tínhamos que tomar alguma decisão e às tentativas de superação de dilemas internos.

Ademais estamos prestes a pegar um canudo que dirá que somos sociólogos, ou cientistas sociais! Há duas semanas, em uma conversa com a Mariza (nossa Mariza) eu revelei que não sabia o que significava ser um sociólogo. “Eu sou um sociólogo, tá e daí, o que é que eu sei para dizer que sou um sociólogo ou para que as pessoas me apontem como tal?” A Mariza pensou um pouco e disse que nós sabíamos muita coisa, que havíamos aprendido muita coisa... realmente ela estava certa, aprendemos mesmo muita coisa... o canudo vai dizer que somos profissionais, mas sabemos que não somos somente profissionais... as lembranças trarão saudades, mas sabemos que valeu à pena... para o futuro, não sabemos o que queremos, mas sabemos o que não queremos...

O estudo das ciências sociais apresentou realidades, pontos de vista, contextos, fatos marcantes da história da humanidade que muitas vezes não eram músicas boas para nossos ouvidos... vimos muitas coisas que alguns homens e mulheres construíram e que ainda constroem não em benefício de todos os seus semelhantes... mas vimos também o seu reverso, ou seja, alguns homens e mulheres que lutaram e brigaram em benefício de seus iguais. Estes sujeitos éticos são, sem dúvida, os que norteiam nossos planos e ações agora e, provavelmente, quando escolhemos este curso. Então eu sou o Joãozinho sociólogo, mas também sou o Joãozinho pai, marido, filho, irmão, amigo, morador... e é neste círculo de relações que travo com os Pedrinhos, os Luizinhos, as Mariazinhas ou as Aninhas que pretendo ser cientista mas também humano, ser humano e ao mesmo tempo cientista.


Chegamos ao fim, mas sabemos que esse fim é um começo, ou um recomeço, diferente, consciente, disposto a tornar as coisas melhores e mais confortáveis. Nossa inclinação para isto é a vida. A vida. A vida é bela, é bonita e é bonita!"

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